quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SEU FILHO PODE ESTAR PROCURANDO AJUDA!



"A presença de filhos em nossa vida é um mistério muito belo que somente será desvendado por aqueles que tiverem a coragem e a sabedoria de ir além das simples regras da educação"
                                                                                       Roberto Shinyashiki


Depois de algum tempo sem postar no Blog SOMOS TODOS APRENDIZES estou de volta.

Nesse período estive envolvido com algumas questões que me trouxeram experiências, aprendizados e conhecimento sobre relacionamentos, família e espiritualidade.  

Pretendo partilhar com os leitores no decorrer das postagens de novos textos aqui no blog.

Deste que postei o texto “Pais Controladores” tenho recebido e-mails de leitores pedindo pra eu escrever mais sobre esse assunto. Em especial um garoto com idade em torno de quatorze anos e aparentando “desespero”. Afirma que não quer ficar no futuro um adulto como o descrito no texto.

Este adolescente tem a preocupação de ser um adulto seguro, equilibrado, respeitado e admirado pelos pais e pelo mundo. Um jovem que já carrega em sua alma ansiedade quanto ao seu futuro em relação aos seus pais. Uma grande pena!

Esse jovem adolescente tem uma alma boa. Busca conhecimentos e uma forma de entender as atitudes e o comportamento dos seus pais e visualiza um futuro brilhante para si.     

Existem alguns pais e mães que por suas carências, suas limitações e seus medos adquiridos na infância ou mesmos recebidos pela hereditariedade terminam por “matar” a vida dos filhos. Sim,“matar”.

Pais inseguros, carentes, imaturos e fracos geram sofrimentos no coração dos filhos, contribuindo para uma vida adulta difícil e insegura que termina estendendo-se a gerações seguintes.

Às vezes presenciamos pais e mães de crianças pequenas com atitudes desrespeitosas aos sentimentos e emoções dos seus pequenos no propósito de “educar”. Estes pais colocam seus filhos em situações de vergonha, vexame, humilhação e inferioridade diante das pessoas. 

Acredito que a partir da adolescência até a fase adulta todos esses ressentimentos e magoas vão brotar como sentimentos de revolta, insegurança, medo e tristeza na alma desses filhos. Uma pena que esses pais não tenham consciência disto.

Os pais são responsáveis por criar um ambiente mais leve para o desenvolvimento, aprendizado e evolução dos filhos.

Com o propósito de se libertar de suas limitações, os pais devem buscar o autoconhecimento com objetivo de minimizar os sofrimentos e tristezas na alma dos filhos e amarguras na própria vida.   

Filhos com pais controladores e desrespeitosos são geralmente impedidos de realizar, descobrir, experimentar e conquistar desafios na fase da vida em que estão mais ansiosos para aprender e descobrir seus limites.

Os pais devem transmitir confiança e respeito aos filhos para que eles possam experimentar e aprender em cada fase da vida a descobrir o mundo e saber como ele funciona.

Os filhos precisam da confiança e respeitos dos pais. Quando estes confiam em seus filhos, demonstram dando liberdade, confiança e respeito.O que vale em qualquer idade.

Quando os filhos sentem que os pais confiam neles, desenvolvem autoconfiança, responsabilidade, segurança, senso do certo e do errado, bem e do mal e o mais gratificante: a alegria diante da vida. 

Atitude assim cria uma conexão com os filhos.  Eles têm a alegria de compartilhar situações, vivencias e experiências de sua vida com pais.

Do outro lado, quando não existem confiança e respeito dos pais pelos filhos demonstrados desde que estes são crianças, podem crescer tristes, frustrados, deprimidos e até mesmo revoltados com os pais e com a vida.

Ha situações que os pais se vêem diante de circunstancias em que devem decidir em permitir ou não algo que os filhos estão lhe pedindo.  Na maioria das vezes deixam a sabedoria e amor de lado e decidem com ego.

Ficam ligados aos seus próprios sentimentos, preocupações, ansiedades e medo. Considerando que é mais fácil, pratico e cômodo dizer não, proibir, gritar e encerrar o assunto com o filho. Desrespeitando-os como se neles não existissem sentimentos e emoções.

No futuro o “preço” apagar é muito alto para ambos. Esse filho que está no momento sob o poder e a autoridade dos pais um dia se tornará um jovem adulto e essas marcas, traumas e ressentimentos podem trazer complicações na relação com os seus genitores e com as pessoas.

Tive algumas experiências de aprendizado nesse sentido de grande importância com nossos filhos. 

Uma delas foi com nosso filho caçula, na época com dezesseis anos idade. Ele me chamou e disse que queria passar o carnaval em Porto Seguro com um casal de amigos dele. Imagine um adolescente com a aquela idade viajar no carnaval com um casal que eu nem conhecia ainda.  

Comecei a fazer minhas perguntas e questionamentos. Num determinado momento da conversar ele olhou nos meus olhos e disse: “Pai o medo é seu, não é meu. Você tem que controlar seu medo”. 

Naquele momento a vida dele e o nosso relacionamento poderiam tomar caminhos diferentes ia depender do que eu iria falar e da minha decisão.Pensei e decidi pela confiança e pela liberdade que ele estava buscando. Dai pra frente nasceu entre nós comprometimento, respeito e admiração. A vida dele seguiu para um caminho mais leve e de conquistas.

Numa outra situação a nossa filha queria mudar da nossa casa - ir morar com uma colega da universidade.  Aquilo me perturbava tanto, por eu não entender o porquê.

Um dia fomos conversar sobre esse desejo dela. Falei dos benefícios que ela tinha de morar conosco. Depois perguntei por que, e ela me disse com todas as letras: “Pai é meu sonho, sempre tive essa vontade”.

Naquele momento me vi diante de uma situação semelhante à anterior com nosso filho caçula. Deveria ter uma atitude que também demonstrasse confiança, respeito e o apoio para que ela pudesse realizar seu sonho.

Dependendo da minha atitude naquele momento poderia decretar na vida dela insegurança, falta de respeito e rejeição. Mas decidi mais uma vez pela confiança, apoio e compartilhar esse sonho. Deu certo.

Acredito que nos dois casos todos nós aprendemos, mas o aprendizado maior foi para vida deles.

É bom lembrar que dentro de cada um de nós existe uma Alma individualizada, única.
Cada filho tem um jeito especial e os pais devem respeitá-lo da maneira que é. Simplesmente amá-lo.  

Os filhos criados com respeito, afeto e amor são pessoas seguras, confiantes, dóceis e felizes.

Eles não são nossos. São pessoas individualizadas, almas únicas que estão aqui para seguir seu próprio caminho. Somos apenas companheiros viajando juntos por um breve tempo e aprendendo um com o outro.

sábado, 5 de maio de 2012

AMOR DOS AVÓS DEVE SER COM SABEDORIA


"Ter filhos é desejar um mundo melhor"



Eu já havia concluído o texto anterior – “AMOR DOS AVÓS” - quando encontrei uma jovem senhora conhecida e nas nossas conversas contei-lhe a felicidade com a notícia de que íamos ser Avós.

Ela, com expressão de decepção, tristeza e angústia, contou-me sua experiência em relação aos seus sogros no papel de avós de seus dois filhos e sobre a ingerência deles em sua família.

Disse: “Meu marido não tem forças e determinação para impor os limites e mostrar aos pais que agora ele tem uma família, e que a responsabilidade dessa família é do casal. E nem que agora ele é adulto.” Pude perceber que existia muita mágoa e ressentimentos em suas palavras e no coração. Que triste!

Ainda me disse que o casal está buscando orientação com profissionais especializados em terapias de família. 

A situação vivida por essa jovem senhora despertou-me o sentimento de preocupação e responsabilidade para o nosso papel de avós.

A formação de uma nova família e a chegada de um novo membro são motivos de felicidades e alegria para todos. No entanto, quando algumas pessoas da família se “embaraçam” no destino de outros, terminam por causar aprisionamento. Nesses casos o amor não pode ser bem sucedido.

O formato de cada família é de responsabilidade de sua geração. Cada qual, de acordo a sua época, tem seus sistemas de crenças, níveis diferentes de compreensão espiritual, moral, intelectual e diferentes maneiras de lidar com as diversas situações.

Cada família com sua dinâmica – mesmo mesclando a cultura das duas famílias originais–  ainda assim é única. Tem seus próprios sonhos, sua energia própria, seu caminho a seguir. É uma terceira formação que será de conformidade com missão de seus membros, pertencente somente àqueles que fazem parte desse novo núcleo.

Acredito que a geração anterior já teve sua oportunidade na época adequada àquela família que formou. Com acertos ou não, passou. Não será mais possível consertar possíveis erros e impor os seus “reconhecidos” acertos, principalmente dentro do ambiente familiar dos filhos e netos. A missão agora é deles.

Nos consultórios de terapias familiares e de casais, filhos e filhas, noras e genros, vivem em busca de soluções para suas angustias, ansiedades, tristezas e incertezas por causas atribuídas aos comportamentos e interferências de pais, mães e avós no seu ambiente familiar, na educação e cuidados com os netos.  É o caso da jovem senhora que mencionei no início do texto.      

Alguns pais e avós, pela experiência que a vida lhes proporcionou, têm o julgamento de que sua capacidade lhes dá o “direito” de interferir e orientar a vida dos filhos e netos.


Acredito que realmente os filhos – jovens casais - e os netos, nessa fase da vida, têm grande necessidade dos conhecimentos, da experiência, da disponibilidade e da colaboração dos pais e avós. É uma ajuda necessária e maravilhosa. Porém ela deve vim acompanhada do bom senso, sabedoria e equilíbrio.

Se essa ajuda chegar de forma desordenada, desequilibrada, e sob a forma de controle e domínio no ambiente sobre os membros da nova família, a consequência natural será críticas, julgamentos e reclamações de ambos os lados. 

O que poderia ser relações harmoniosas, alegres, felizes, de colaboração, respeito e confiabilidade, se torna experiência dolorosa, angustiante e de tristeza.  Isso causa afastamentos, distanciamentos e falta de intimidade e liberdade entre pais e filhos, e avós e netos. E essa dinâmica de relacionamento se estende mesmo na fase adulta dos netos.

Ainda nesse ambiente alguns avós criam um tipo de “jogo de poder” sujeitando os pais e os netos a algum tipo de disputa familiar com o propósito de chamar para si a atenção, o carinho e o amor dos netos. Este tipo de comportamento é muito perigoso para a formação psicológica, moral e emocional dos netos e para o relacionamento entre o casal e seus pais.

Alguns avós chegam a colocar em confronto pais e filhos, com objetivo de controlar os netos e demonstrar mais poder a nora, ao genro ou filho e filha. Cria-se uma situação complexa e embaraçosa.

Nos relatos de casos dos consultórios psicológicos e nos seminários de terapias alternativas encontramos mães e pais que chegam em desespero, angústia e tristeza em ter que lidar com esse tipo de disputas e desarmonias.

A orientação da maioria dos profissionais em relacionamentos familiares é que casal deve “criar uma barreira” em torno de sua família com objetivo de protegê-la da energia de disputa, intromissão e controle dos avós e outros membros familiares cujas atitudes colaboram para o desequilíbrio na formação familiar.

Por outro lado, existem avós e avôs que contribuem enormemente com a educação e criação dos seus netos de forma discreta, harmoniosa, respeitando os princípios e as regras “estabelecidas”, os gostos, as crenças e os sonhos da nova família. Simplesmente com amor e carinho aos seus descendentes, sem disputas, críticas e julgamentos.

Na nossa experiência os nossos filhos foram educados e criados com o auxílio da minha sogra – como é da nossa cultura, os filhos geralmente seguem a família da mãe.

Nosso sentimento é que ela teve um papel importantíssimo da vida deles. Posso afirmar que em nenhum momento nos sentimos ameaçados de que os “limites estabelecidos” pela nossa nova família fossem por ela negligenciados. Parece que mesmo sem esses limites terem sidos mencionados ou declarados, ela os tinham claramente em sua mente.

Isso contribuiu bastante para que nossos filhos soubessem de onde vinham as orientações, as decisões,como seriam e de onde vinham os apoios, onde buscar os esclarecimentos, as respostas e principalmente, onde era o núcleo da nossa família. Tivemos resultado positivo. E a ela temos a nossa maior gratidão. Até hoje a influencia da avó e do avô é forte e benéfica à vida deles.  

Quando os pais educam, criam e formam seus filhos num ambiente em que eles sabem quem ditam as regras, quem resolvem os conflitos, a quem eles devem recorrem em situações de riscos, a quem recorrer nos momentos emocionais complexos, e tem em suas mentes os limites bem delineados do seu ambiente familiar, os filhos sentem-se seguros, alegres, confiantes, verdadeiros, crescem amorosos e harmoniosos.

Percebi que os avós tem grande responsabilidade de contribuir para não desestabilizar os relacionamentos na família dos filhos com comportamentos e atitudes exageradas. Devemos nos lembrar que cada pessoa tem sua missão específica e não podemos e nem temos direito de tomar o lugar de ninguém no caminho da evolução.  

sexta-feira, 4 de maio de 2012

AMOR DOS AVÓS!

" As crianças são almas que beijam a Terra."                                                     
                                    Doris Stokes


Dia 16 de fevereiro por volta de 18.30h recebi do nosso genro e da nossa filha uma caneca com os dizeres: “Eu amo meu vovô”.  No momento fiquei meio confuso. Segundos depois entendi que estava sendo noticiado que eu seria Vovô.

Realmente é uma alegria imensa saber que vamos subir na escala da hierarquia das gerações. Vamos poder continuar participando e contribuindo na caminhada e na evolução espiritual dos nossos filhos, convivendo e aprendendo com um novo Ser que também carrega parte de nosso DNA.

 Mentalmente começamos imaginar diversas situações de convivência e relacionamento com aquele neto ou neta que está por vir. Inundamos de alegria e felicidade o nosso coração. Começamos a contar os dias e meses para a chegada “física” do novo membro da família dos nossos filhos. A nossa filha e nosso genro nos presenteou com essa alegria.

Muitos avós e avôs dizem que o amor pelos netos e netas é bem maior e intenso que o amor por nossos filhos. No entanto, não quero acreditar nessa afirmação. Tenho preferência de pensar que o amor pelos nossos filhos continuará sendo grande, forte e intenso e o lugar deles em meu coração e na minha alma sempre existirá, como sempre existiu.

Nossa filha, logo no inicio da gravidez, teve reações fortes de enjôo, tonturas, falta de apetite, teve sensibilidade a cheiros, perdeu peso, e outros sintomas que algumas mulheres grávidas sentem.

Pela minha disponibilidade passei quase três meses ao lado dela todos os dias, fazendo companhia, levando aos médicos, pronto atendimento, consultórios ginecológicos, providenciando alimentação, com paciência, amor e dedicação para lhe transmitir confiança e segurança. Muitas vezes queria assumir todos aqueles sintomas para mim para não vê-la com aquele “sofrimento”. Assim, pude comprovar mais vez que o amor aos nossos filhos continua e sempre existirá em nossos corações. Forte, intenso e incondicional.

Em relação aos nossos netos e netas acredito que eles façam parte da escalada de evolução na vida dos nossos filhos. E nessa linha do tempo das gerações carregam dentro deles emoções e sentimentos que nos envolvem e preenchem nossos corações de amor, alegria e felicidade.

Imagino que para alguns pais, por que os filhos já estão adultos, a manifestação de algumas emoções e intimidade com relação a eles “perderam” a intensidade. E com a chegada dos netos despertam novos sentimentos que envolvem seus corações, alimentam e faz despertar nova força e coragem, animando-os a viver nova etapa da vida com alegria e disposição. Acredito que esses sentimentos  reacendem o amor, a alegria e entusiasmo que estavam “travados”,  impedidos de manifestarem aos filhos, por estes estarem  “distantes emocionalmente” nessa fase de suas vidas,  seguindo o seu caminho como adultos.

Assim acho que por que muitos pais perderam a liberdade e intimidade com os filhos adultos de demonstrarem o amor, o carinho, a dedicação e o afeto, quando os netos e netas chegam a suas vidas,  tem esses sentimentos aflorados e terminam se confundindo com as emoções em relação aos filhos. Acredito que o amor aos filhos esteja em seus corações intenso e forte igualmente quando eles eram crianças, mas agora sem a intimidade e a liberdade para que os pais possam manifestar claramente.  

Percebi, então que ser avô ou avó não é uma tarefa fácil. Na intenção de adquirir algum conhecimento sobre esse novo papel, no dia seguinte fui a uma livraria procurar alguma bibliografia sobre o papel dos avôs na vida dos filhos e dos netos. 

Pude perceber que livros sobre esse tema são raríssimos, mas ainda assim encontrei um livro excelente. Após ler o livro em uma semana, fiquei analisando sobre a responsabilidade e as conseqüências da influência do papel dos avôs na vida da nova família. 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O TRABALHO E A GRATIDÃO


"Todos fazemos planos, mas a vida tem seus próprios caminhos. A sabedoria nos ensina que ela sempre faz o melhor. Aceitar isso é vencer a frustração"
                                                                               




Na semana passada encontrei uma colega da época em que estudávamos para concurso. Foi um período muito “puxado”. Tínhamos aulas até nos finais de semana e algumas vezes domingo á noite. Foi um período de angustia, ansiedade, incerteza, cansaço e de muito estudo. Ela conseguiu aprovação em um dos concursos mais difíceis, mais desejados e de excelente salário: Analista do Tribunal de Contas da União – TCU. 

Quando ela foi aprovada e convocada, imaginei a felicidade e alegria dela por ter conseguido realizar um sonho tão difícil e que buscava tanto.

Nesse último encontro lhe perguntei como estava em seu trabalho, mas em dez minutos de respostas ouvir reclamações, críticas, julgamentos aos gerentes, diretores, colegas e o governo. “Esse país nosso é uma merda”, ela concluiu.

Enquanto ela lamentava,fiquei ali imaginando os dias e horas que estávamos estudando nas bibliotecas, cursinhos, nas salas de aulas,o cansaço, os lanches rápidos, o transporte coletivo, o sono nas aulas, compras de livros, apostilas e tudo o mais relacionado a essa fase de concursando.

Ainda hoje fico me perguntando para onde foi aquela felicidade, alegria e sentimento de realização quando ela soube da aprovação.  E o sentimento de GRATIDÃO?

Existe a lei da Gratidão, que é um principio natural de ação e reação. A mente grata é constantemente fixada no melhor e por consequência tende a transformar-se no melhor, toma a forma ou a característica do melhor. Imagino que o descontentamento dessa moça pode ser por falta de gratidão.

O sentimento de gratidão vem quando temos a consciência de que é por meio do trabalho que manifestamos a nossa força interior, demonstramos o amor ao próximo, a pátria e oferecemos Luz ao mundo. 

Através do nosso trabalho temos a oportunidade de evoluirmos, de nos doarmos, de aprendermos a nos relacionar com pessoas de personalidade diferentes, esmerilhar e polir nossa alma. O ambiente de trabalho é um dos centros de treinamento e de aprendizado mais complexos que podemos ter neste planeta.

Acredito que a Inteligência Divina nos coloca no lugar apropriado para que possamos aprender o que precisamos naquele momento, com aquelas pessoas, com aquele “chefe”, com aquele trabalho, naquela localidade, e com aquele salário.

Num ambiente de trabalho executamos tarefas que beneficiam o próximo, conhecemos pessoas que nos ensinam lições de vida, lições de companheirismo, lições de comprometimento. Aprendemos a nos doar, aprendemos a nos relacionar com várias pessoas de personalidades diferentes, aprendemos a ter paciência, e ainda recebemos salário por termos essas e outras lições a nossa disposição.  E é claro, ensinamos também.

Muitos reclamam todos os dias de seus empregos, dos colegas de trabalho, de seus chefes, dos salários, do ambiente, da localização e etc. Não tem consciência de que estão diante de uma grande oportunidade espiritual de evolução, e é naquele lugar que estão as grandes lições mais apropriadas para polir nossa alma, nosso ego, nossa arrogância e nosso orgulho, e ainda contribuir com a construção de uma humanidade melhor.

Imagino que, como objetivo primordial da VIDA é a evolução através dos aprendizados nos diversos ambientes colocados a nossa disposição, não adianta fugirmos de um lugar que ainda não “diplomamos”, que ainda não fomos aprovados em todas as lições que tínhamos que aprender naquele local, com aquelas pessoas para ir para outro que achamos que será melhor. Se assim fizermos encontraremos as mesmas situações, pessoas semelhantes às anteriores e acontecimentos parecidos. Será uma fuga sem sentido.

A melhor forma é tentar adquirir a quantidade maior de aprendizados possíveis, naquele ambiente, com a mente dócil e grata,e quando a nossa Alma “avisar” que estamos prontos para uma nova etapa, um novo nível de aprendizado, sairemos com alegria, harmonia e com o sentimento de dever comprido.

Então poderemos seguir adiante para novas lições, em outros lugares e com outras pessoas. Com coração suave e feliz podemos olhar para trás e levar boas lembranças das pessoas, dos relacionamentos, do trabalho e principalmente dos aprendizados adquiridos naquele lugar.

Assim, é possível seguir a vida sem magoas, tristezas, ressentimentos, revolta, medo e raiva, mas com sentimentos que nos guiam na harmonia, alegria, realização e amor.

Estamos aqui, neste mundo, para polir nossa alma e aprender a manifestar a gratidão e o amor a tudo e a todos. Acredito que com essa atitude e sentimentos seguiremos no caminho da evolução espiritual.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PAIS CONTROLADORES E A VIDA DOS FILHOS



PARTE II

Depois que escrevi o texto “PAIS CONTROLADORES E A VIDA DOS FILHOS”, recebi algumas manifestações de filhos que se identificaram com o tema. Percebe-se que existem muitos jovens adultos que sofrem com as exigências e cobranças de pais que querem controlar as suas vidas.


Um deles, um jovem com mais de 30 anos de idade, preocupado não somente com a própria situação, mais também com de outros filhos em circunstâncias semelhantes, por e-mail me disse: “... quero servir de exemplo pra outros filhos que estão passando pelas mesmas dificuldades”.

Esse jovem descreve o relacionamento com seu pai assim: “Meu pai é um homem bom, hora afetuoso e brincalhão, quando fazemos o que lhe convém, é lógico. Porém controlador, bravo, com todas as características do texto citado. (...) Já sofri muito e venho sofrendo com isso, esse controle dele, o jeito de querer dizer de tudo até o que eu posso ou não fazer...”.

Certamente, esse pai ama seu filho. No entanto, os pais são pessoas normais com suas limitações, suas carências, seus medos, suas angústias, suas inseguranças. E também tem vontades e sonhos, sejam eles pessoais ou familiares.

Os sentimentos positivos e negativos em nossas mentes (não diferente nos pais) quando fortemente enraizados em nossas almas, definem o comportamento, as atitudes e a forma como vamos nos comportar e relacionar diante das circunstancias, das pessoas, nas relações no trabalho, com o mundo e principalmente dentro da família, onde os pais se sentem com o “poder” sobre seus membros. 

Pais que carregam sentimentos negativos em suas mentes de maneira mais intensa, geralmente são pessoas que na infância também sofreram algum tipo de carência, criticas, não aceitação, abandono emocional, rejeição, julgamento e muitas vezes tiveram todos os dias que buscar aceitação das pessoas do seu convívio. Em grande parte dos próprios pais. Como podemos cobrar algo diferente dessas pessoas?

Para filhos de pais com esse perfil, sugiro que busquem a compreensão, a compaixão e principalmente a gratidão por tudo que eles fizeram pelas suas vidas. O autoconhecimento também é um caminho poderoso para o entendimento da nossa capacidade como pessoa. Não é uma tarefa fácil, mas possível. 

Constam em todas as Escrituras Sagradas das Grandes Religiões do mundo: “Honrar Pai e Mãe”, e também na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade da Seicho-no-ie : “ ... Dentre os teus irmãos, os mais importantes são teus pais. Mesmo que agradeças a Deus, se não consegues, porém, agradecer a teus pais, não estás em conformidade com a vontade de Deus.”

Nas palavras do filósofo Bert Hellinger, os pais entregam aos filhos a totalidade do que possuem: A Vida. E os filhos a recebem na sua totalidade sem nada excluir e sem nada acrescentar. Assim, aceitam a totalidade da vida.

Isso é sublime. É misterioso. É espiritual. É necessário para que os filhos possam seguir adiante com felicidade, alegria e com as bênçãos dos pais e dos antepassados. Aceitando aos pais e à vida como lhe foi dado.

O dever dos pais na vida dos filhos é conquistá-los, desde a infância, com o exemplo de suas atitudes, comportamentos, discernimentos, amor e sabedoria  transmitindo-lhes confiança, respeito e companheirismo.

Os pais devem respeitar seus filhos como espíritos individuais, pessoas únicas, acreditar, admirar e amá-los. Não amor de primeiro estágio – amor apego, mas com amor sublime, acreditando que o filho tem capacidade e sabedoria para seguir adiante.

Um dia os filhos ficam adultos e muitas responsabilidades são apresentadas. Temos que tomar decisões, fazer escolhas, seguir determinado caminho e também muitos formarão suas famílias.  É quando precisamos partilhar.

Creio que as exigências, controles e manipulações dos pais tem como conseqüência diminuir ou minar a autonomia, soberania e o poder dos filhos adultos de decidirem suas próprias vidas. Isso deve ser “combatido” decididamente, com sabedoria e determinação para o bem e felicidade da vida do próprio filho.

Filhos de pais controladores e dominadores que têm a consciência clara do que querem e buscam criam estratégias para se livrarem ou amenizarem as conseqüências das atitudes e ações dos genitores. Os que conseguem tornam-se pessoas fortes, livres, corajosas, equilibradas e se realizam como seres humanos.

Os demais se perdem nos “labirintos” da vida, sem forças para impor suas escolhas, suas crenças e seus sonhos. Vivem como “satélites” a redor desses pais buscando a sua aceitação e aprovação para tudo. Muitos, inconscientemente, se desfazem de suas famílias, apagam seus sonhos e suas crenças para ter essa aceitação. 

Transformam-se em pessoas fracas, lutando sem sucessos, tristes e assistindo a vida passar. Verdadeiras “Almas Perdidas” em conseqüência dos caprichos de seus pais controladores e egoístas. Uma pena!!