quarta-feira, 23 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DA CULTURA FAMILIAR


Na visão do educador Paulo Freire, “quem não aprende a interpretar o que mundo ao seu redor tem a dizer, terá muita dificuldade em compreender o que as palavras impressas em um livro querem transmitir”.  Segundo ele, “essa primeira leitura quem nos ensina é a família, o lar a que nos foi dado pertencer”.  Paulo Freire se refere à importância da família na formação do caráter e da competência social e produtiva dos filhos.

Acredito que cada família desenvolve, conscientemente ou não, uma cultura única. A atmosfera física e emocional que os pais criam na família determina como se dará o desenvolvimento dos valores familiares.  Quanto mais atenção se dá a essa dimensão da vida familiar, tanto mais probabilidade haverá de que os valores profundos da família sejam sempre lembrados e tenham prioridades nas decisões dos nossos filhos no futuro.

Uma cultura familiar positiva pode dar aos filhos uma estrutura sólida para que encontrem seu próprio caminho no mundo. Nosso papel, de pais, é identificar nossos valores mais profundos e personificá-los da melhor maneira possível em nossas vidas e em nosso trabalho de educar os filhos.

No entanto existe certa dificuldade, em parte, em perceber as qualidades dessa cultura familiar e fazer opções conscientes que reflitam e representem os valores que temos para repassar aos nossos filhos.

Veja que algumas famílias prezam as aparências mais que tudo. O que parece prioritário é o “bom comportamento”, a “boa aparência”, o “sucesso material e/ou profissional” das pessoas. Já outras famílias valorizam a soberania, a individualidade, a empatia, a aceitação, a honestidade dos sentimentos e a conscientização do amor e da espiritualidade.

Como pais, tentamos viver e passar aos nossos filhos, ao máximo, esses valores que prezamos e valorizamos, dando-lhes prioridade maior a cada instante.
Na família cabe aos dois – pai e mãe – a responsabilidade pela noção de família como um todo. A família se nutre na medida em que dela temos consciência e levamos suas necessidades em consideração, da mesma maneira como ponderamos as necessidades de cada um dos filhos.

A família necessita de atenção constantemente.  Algumas vezes precisamos reunir todo mundo, às vezes só para entrarmos em sintonia, às vezes para nomear e solucionar problemas específicos, às vezes apenas para nos divertirmos. Com o tempo, um sentimento coletivo de pertencer a um todo maior se desenvolve nos filhos, que começam também a ser responsáveis pelo bem estar da família. Claro, isso varia de família para família.

Assim, acredito que os filhos vão formando seus próprios valores sociais a partir do clima e da cultura da família e de suas interfaces cada vez mais amplas com o mundo.  Terão uma leitura do mundo de forma mais segura, mais consciente, com mais bondade, com mais sabedoria e, sobretudo com respeito às pessoas e suas diferenças.  

quinta-feira, 17 de março de 2011

OS FILHOS NECESSITAM DO ENVOLVIMENTO DO PAI EM SUAS VIDAS!


Nas conversas que tenho com alguns jovens e adolescentes, um questionamento geralmente surge: “Por que meu pai não é tão legal como eu queria que ele fosse?” Observo que nas palavras e nos rostos desses jovens existe misto de tristeza e decepção com o pai e mesmo com a vida. Do outro lado, também alguns pais ressentem-se de os filhos não terem a liberdade e intimidade de se aproximarem deles.

Imagino que isso se deve a cultura imposta às famílias, na qual somente as mães são as responsáveis pela condução, criação, cuidados e educação dos filhos. Essa cultura não tem contribuído muito para a participação ativa do pai, restando a este, praticamente a responsabilidade pela provisão material, sem uma participação na formação afetiva e emocional dos seus filhos. 

Acredito que essa cultura teve origem no passado recente quando as religiões incutiram na mente da humanidade que a capacidade, o dever e habilidade de “criar”, “cuidar” e “educar” os filhos eram somente das mães. Acho que por vinculação e analogia a imagem que se adotou de Maria, Nossa Senhora, mãe de Jesus.

E ainda, somado a esse aspecto, mesmo que inconscientemente, existe certo sentimento, por parte das mães, de posse dos filhos. Uma forma de “propriedade psicológica” em relação ao filho, deixando de fora a participação do pai.  Tal propriedade se alimenta na mulher por alguns fatores que ocorrem durante a gravidez. 

Além das inúmeras transformações físicas e emocionais por que passam, as mulheres são constantemente lembradas de seu estado especial pelas reações das pessoas, pelas mudanças cada vez mais dramáticas que ocorrem no corpo, e finalmente pelo nascimento do bebê. Neste momento acontece fisicamente a responsabilidade de alimentar, cuidar e ter os primeiros contatos com aquele ser.

Durante esse processo a participação do pai é quase que nula, aumentando ainda mais o sentimento de “propriedade psicológica” da mãe sobre o filho.

Algumas mães com esse sentimento de “propriedade psicológica” mais aguçada não permite ao pai ser “PAI”. Adotam atitudes que impedem ou impossibilitam que o pai tenha uma aproximação e convivência harmoniosa e de intimidade com os filhos.

 Logicamente, esse comportamento por parte dessas mães, cria nos filhos sentimentos negativos em relação ao pai, assim como do pai em relação aos filhos.  Stephen Kanitz autor do livro: Família Acima de Tudo afirma que pela sua experiência no consultório, a ausência do pai é mais desastrosa na vida dos filhos que a ausência da mãe.

Penso que tais mães deveriam rever suas crenças e suas atitudes em benefício da felicidade de seus filhos e permitir que o pai se aproxime, conviva e participe da educação, dos cuidados e da formação emocional, psicológica e intelectual dos filhos.    

E a esse pai que conquistar essa “benção”, junto às mães, de poder participar ativamente na educação, criação e cuidados de seus filhos, que procure não decepcioná-las e que busque exercer sua missão de pai com docilidade, sabedoria, amor, bondade e em especial com espiritualidade.

 Posso dar meu testemunho. Fui abençoado pela minha esposa que permitiu eu exercer na plenitude a missão de Pai. Para mim umas das maiores felicidades e acredito que nossos filhos foram também agraciados. Procurei me preparar, focar e aprender todos os dias e em todas as situações.   Na verdade, essa atitude é a paternidade atenta.

Na paternidade atenta percebemos que, em família, vivemos dançando uns com outros uma dança de energia sempre em transformação, colocando nossas vibrações em frequências diferentes e interagindo com a energia do outro na forma de pensamentos, sentimentos e de suas expressões – verbais e não verbais – através de nossos corpos, nossas ações e nossas reações a acontecimentos e atos.

Pai e filhos vivem influenciando mutuamente suas energias. Nossa vida orbita no campo magnético do outro, física, emocional e psiquicamente, e estamos sempre interagindo uns com os outros e influenciando-nos mutuamente às vezes de maneira sutil e outras nem tanto, às vezes conscientemente, outras não.

Os filhos às vezes entram em estados de energia muito fortes que podem nos afetar de várias maneiras diferentes. Se pudermos perceber suas ressonâncias, podemos escolher nossos passos mais conscientes e entrar em sintonia com as suas necessidades. Assim estaremos mais próximos dos seus sentimentos e de desempenhar melhor o nosso papel como pais.      

Isso pode acontecer em níveis muito diferentes em cada família, mas às vezes nos passa despercebido e pode nos arrastar para lugares aonde não queremos ir, sem que saibamos como lá chegamos. Se não dermos conta, quando percebermos nossos filhos estarão tão distantes de nós e da família, sem referencia, sem aconchego, solitários e emocionalmente desamparados. 

Estar afinados com nossos filhos é perceber as mensagens que eles nos enviam, não só com palavras, mas também com cada aspecto do ser deles, e nos ajustar para ressonar em harmonia com eles.

Quando os filhos crescem, a afinação entre eles e o pai fica mais complicada. Estar em harmonia com filhos não significa que as coisas serão sempre harmoniosas. A afinação em momentos de grande desarmonia e conflito exige tudo de nós, cada grama de energia e sabedoria, para que, mesmo durante os atritos, tenhamos em vista quem realmente são nossos filhos e o que precisam de nós naquele momento. 

Os autores Myla e Jon Kabat do Livro: Nossos Filhos, Nossos Mestres descreve uma situação que ilustra claramente uma situação de afinação, mesmo que complicada: “A filha de 12 anos chega da escola e entra em casa com a cara feia. “Estou com fome”, reclama agressiva. Vejo imediatamente que a escola está lhe pesando. Ela está assoberbada. Passou o dia todo com outras pessoas. Está com baixa de açúcar no sangue. Está desfalecendo. Já prendi a ter alguma coisa pronta para ela comer quando chegar em casa. Também já aprendi a não lhe fazer perguntas, a lhe dar espaço. Essa não é a hora para criticar seu tom de voz nem lhe ensinar a ter bons modos. Depois de comer, ela costuma ficar mais simpática comigo, e vem me dar um abraço ou vai se enfurnar no quarto para ouvir música”. Esse exemplo, para mim, é uns dos mais sábios que conheço.  Ele muitas vezes me serviu de referência.

Acho importante a qualidade da nossa presença com filhos. É fundamental para a qualidade de nosso relacionamento com eles. A presença é atenção. Cultivá-la requer um esforço consciente e sustentado, uma vontade de ser autêntico, alerta e afinado. 

Quando somos autênticos com nossos filhos, somos genuínos. Não escondemos nem fingimos. Não discriminamos certos sentimentos em nós mesmos ou neles.


Acredito que para a felicidade dos filhos e da família, as mães devem permitir ao pai a participação  na condução, criação, educação dos filhos que resultará em um convívio harmonioso entre pai e filhos. Verá que os filhos se tornarão mais felizes, seguros, harmoniosos e terão uma vida de sucesso.  O pai saberá de sua responsabilidade grandiosa de proporcionar a todos felicidade, auto-estima, segurança, determinação, alegria e a espiritualidade.  Todos os filhos consciente ou inconscientemente esperam isso de seus pais. 


segunda-feira, 14 de março de 2011

HOMENS E MULHERES A CAMINHO DO EQUILIBRIO



"Nenhum homem ou mulher do tipo mais humilde pode ser realmente forte, gentil e bom, sem o mundo ser melhor por isso, sem alguém ser ajudado e confortado pela própria existência dessa bondade"  
                                                                                                     Alan Alda                                                             
                      
Assisti a uma palestra com o tema “As mulheres nos dias atuais” e achei muito interessante, por se tratar de um tema tão controverso nos dias de hoje. As mulheres, ainda, lutam por conquistas de liberdades, igualdades, reconhecimentos e por ai vai. A palestrante, uma senhora de meia idade, iniciou contando suas conquistas na área profissional. Disse que atuou por vários anos como “gestora de vários departamentos”: gerente e diretora em grandes empresas. Ela teve grandes desafios por ser uma mulher comandando vários homens, muitos deles machistas. Sentia-se como que abrindo caminho para muitas outras mulheres.

Relatou que nesse período adquiriu o hábito de “mandar” e “controlar” as pessoas e as situações ao seu arredor. E essa postura, ela trouxe para sua vida familiar, para os relacionamentos pessoais e para seu dia-a-dia. Continuava como “diretora” dando ordens, determinando com ia ser tudo e que todos tinham que executa-las de acordo com sua visão, sem questionamentos.

Com o tempo percebeu que algo estava errado. Primeiro com ela própria, percebeu que seus sentimentos estavam duros, críticos, amargurados.  Em seguida com os filhos e o esposo. Eles começaram apresentar receio de se aproximar e partilhar suas vidas com ela.  Os quatros filhos e o marido passaram a levar a vida entre eles com apoio, confiança, envolvimento e afetividade para garantir a segurança uns dos outros e proteção contra as atitudes da mãe e esposa. 

 Foi quando ela percebeu que estava se comportando como uma tirana, atitude de muitos homens que ela criticava desde sua adolescência. Depois de perceber isso tudo, segundo suas palavras:  “procurou meios para ser tornar uma mulher de verdade de acordo a natureza feminina, com sabedoria, amor, compreensão, docilidade. Sem, no entanto ser submissa, arrogante, masculinizada e tirana com as pessoas que amava”.

Ao final da palestra fez um alerta às mulheres presentes que conquistaram comandos gerenciais e/ou de diretorias e também as aquelas que exercem alguma profissão - como professora, policial – e que tendem a ser autoritárias em seus lares e com as pessoas do seu dia a dia.

Analisando essa palestra, parece que tudo tem sentido e explicação.  O escritor Stephen Kanitz, autor de vários livros sobre a família, em um dos seus livros escreveu sobre a evolução da família. Os pesquisadores e estudiosos descobriram que mais ou menos há três milhões de anos existiam  um formato de “família” bem diferente do atual. Os homens e as mulheres da época tinham um tipo de genes que, por questão didática e simplificação para entendimento, o autor denominou de tipo “G”. Para os homens – tipo “G” “Garanhão” e para as mulheres – tipo “G” "Guerreira”. Os garanhões não tinham comprometimento com a prole, mesmo porque naquela época não se sabia que a relação sexual gerava os filhos. Então os filhos nascidos eram somente das mulheres  que tinham que cuidar deles sozinhas. O papel dos homens com esse tipo de genes era a conquista – caça e guerras – entre as tribos.

Mais tarde foram surgindo os homens e mulheres dos genes tipo “P”. Os homens tipo “P” eram os “Paternais” e as mulheres dos genes tipo “P”, as “Parceiras”. Esses homens tinham a consciência da relação deles com os filhos e com as mulheres. E juntos constituíam suas famílias. Cada um colaborando de acordo a sua natureza.


Na empresa em que eu trabalhava, tinha uma gerente que era admirada e respeitada por muitos homens sob o seu comando, por causa de sua determinação, capacidade, inteligência, prudência, docilidade, feminilidade e pela sua gestão harmoniosa com os demais departamentos. Gostava de conversar com ela para ouvi-la falar sobre seus pensamentos em relação aos filhos, seu esposo e sua família. Uma frase dela resume tudo: “Eurípedes, esse trabalho e todas as pessoas aqui vão passar. Aqui estou uma profissional. Mas na verdade eu sou esposa, sou mãe, sou filha e etc. E é isso que nunca vai passar na minha vida e da minha família” Acredito que ela é de gene tipo “P”.


Autora do livro O Poder da Parceria, Riane Eisler explica que percebeu existirem dois modelos que podemos utilizar em nossos relacionamentos: o de dominação e o de parceria. O modelo de dominação é o que herdamos de épocas passadas, mais autoritárias e despóticas. Este modelo aprova a competitividade, onde a violência e o medo são vistos como naturais, e onde os mais fracos ficam desabrigados. A autora mostra que o “modelo dominador” de relacionamento foi desenvolvido durante a mudança histórica das sociedades matriarcais para patriarcais, da liderança feminina para a masculina. O medo e a violência tornaram-se o lado negro aceitável do poderoso dominando o fraco.

O modelo de parceria é mais horizontal e não privilegia os homens em favor das mulheres, reconhecendo os direitos não só de ambos os gêneros como também das crianças, dos idosos, do meio ambiente, dos animais. Quando os relacionamentos são pautados pelo modelo de parceria, as pessoas mostram respeito umas pelas outras, abrem espaço para diferenças e tomam cuidado com o que necessita de atenção. Em um “modelo de parceria” mais antigo, os relacionamentos baseavam-se na confiança mútua entre pessoas, com valores iguais para o feminino e o masculino.

A dominação não é, e nunca foi normal. A ascensão liberta a espiritualidade inerente dentro de todos nós. Os relacionamentos do futuro irão se definir por mais significado, propósito e espiritualidade.

Existem, ainda, mulheres de todas as faixas etárias que não conseguem levar a frente uma conversa sobre casamento, marido e família sem ficarem irritadas, elevarem o tom da voz e ainda chegam a jurar que jamais se casariam. Penso que elas ainda têm em suas mentes uma associação do passado sobre do casamento, família e esposo com ideias de sofrimento, dominação e autoritarismo por parte do homem.  Muitas delas demonstram em suas fisionomias e atitudes sentimentos críticos e de revoltas. Não as condeno, mas as oriento a buscar sair desse estagio e seguir em frente.

Estamos entrando em um novo ciclo: O Milênio da Espiritualidade. Nesse novo ciclo muitos mitos, crenças, verdades distorcidas, dominação, imposição política, religiosa e econômica serão varridas de nossas vidas. Iremos enxergar de forma mais clara, limpa, sem os medos impostos, sem as limitações que foram criadas para a humanidade.  Os relacionamentos pessoais ficarão livres, e a energia do equilíbrio e do amor feminino se harmonizarão com a energia da sabedoria e da inteligência masculina.  A humanidade viverá a tão buscada PAZ.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DE ONDE VEM A AUTOESTIMA DOS NOSSOS FILHOS?


"A consciência de cada um de nós é a evolução olhando para si mesma e refletindo sobre ela própria."
                                              Teilhard De Chardin

Li uma matéria publicada num jornal sobre uma pesquisa feita na Universidade de San Diego, na Califórnia (Estados Unidos), que confirma a importância do hábito de fazer pelo menos uma refeição diária na companhia dos familiares. Isso pode reduzir em até 80% as chances de os filhos se envolverem com drogas, prostituição ou atos de violência.

Neste estudo, após 27 meses comparando os dados, a equipe de cientistas concluiu que os jovens que tinham a presença dos pais em pelo menos uma refeição diária estavam menos propensos a se envolver com esses problemas.

“Ao avaliar a vida daqueles jovens, percebeu-se a importância do momento em família para a vida deles. Estar com os familiares dá mais liberdade para o jovem falar dos problemas. A presença dos pais nas refeições facilita uma troca de vivências, e a prevenção de possíveis problemas de envolvimento com vícios”, afirma o psiquiatra Fábio Barbirato, que acompanhou o estudo.

Avaliando a pesquisa, achei interessante por confirmar que o envolvimento e participação dos pais na vida de seus filhos trazem resultados surpreendentes durante a sua formação e na vida adulta.  

Formar esse costume, nos dias atuais, demanda esforços e compromisso por parte dos pais devido ao formato das famílias e da vida moderna. Não conseguimos conversar com alguém – sejam eles filhos ou qualquer pessoa – sem que sejamos interrompidos pelos aparelhos e instrumentos tecnológicos disponíveis a todos, como celular - computador, internet e etc.

Ainda assim, acredito que vale a pena incutir e dedicar esforços para nos comprometer e nos envolver com a vida da nossa família.  Acredito que o costume de estarmos juntos nas horas das refeições e/ou outras oportunidades, pode elevar a autoestima dos nossos filhos, pode levar com que eles se sintam acolhidos e próximos de nós, pais. 

O autor Stephen Kanitz, do livro “A Família Acima de Tudo”, escreveu um capítulo para falar sobre a Autoestima dos filhos. Nesse capítulo ele enfatiza a importância dos pais demonstrarem a filha e/ou ao filho  o seu verdadeiro valor. Ele afirma que: “... o que determina o sucesso dos nossos filhos não é boa educação, nem disciplina, nem muito amor e carinho, embora tudo isso ajude”, e também que “.. uma criança tem de gostar de si primeiro para que possa gostar dos outros, dos livros, do estudo, de tudo o que virá depois”.

Os filhos com autoestima elevada sentem-se mais íntimos e próximos dos pais mesmo depois de adultos e esse sentimento traz confiança e alegria.  Eles, como nós pais, têm vários ciclos da vida, e em todos eles precisarão do envolvimento e comprometimento dos pais, que devem ter sua formação iniciada ainda quando os filhos são crianças. 

Penso que uma das formas de elevar a autoestima dos filhos pode ser compartilhando momentos e situações de alegria, prazer, preocupações, angústias e das suas buscas com atitudes no nosso do dia-a-dia. Com a paternidade atenta, respeitando a individualidade dos filhos, podemos deixar claro e ser receptivo demonstrando-lhes que existe sempre o caminho aberto para eles chegarem a nós quando precisarem.

Imaginem: uma filha liga para o pai e diz: “Pai, vem encontrar comigo para tomarmos um suco e você me dar um abraço, pois eu tenho vinte minutos de intervalo”. E esse pai vai ao encontro da filha e passam esse “tempo” juntos. Outro exemplo: o filho liga para o pai e diz: “Pai já almoçou? Vou passar ai para te pegar para a gente almoçar juntos”. Acontece conosco e nossos filhos – Adultos.

Para mim, é uma grande lição que eles nos passam. Lição de amor, doação, envolvimento e principalmente de autoestima. Por estarem felizes. Essa é nossa missão como pais: fazê-los sentirem-se felizes. 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

AINDA DISCRIMINAMOS AS PESSOAS POR NÃO ABRIRMOS A MENTE PARA O CONHECIMENTO

Numa viagem que fiz ao nordeste, uma senhora de meia idade sentou-se na poltrona ao meu lado. Depois de algum tempo começamos a conversar sobre diversos assuntos e acabamos falando do comportamento dos jovens nos dias atuais. Ela descreveu que recebeu uma educação rigorosa dos pais, principalmente da mãe. Continuamos a conversa quando descreveu a rebeldia, a irresponsabilidade e a falta de educação dos jovens.  Contra argumentei expondo meu ponto vista de que os jovens das gerações passadas tinham tal comportamento por que o que existia era medo dos pais, dos professores e das autoridades, e não respeito e obediência voluntária.  

E que as novas gerações, que começaram a nascer a partir da década de oitenta, têm consciência mais expandida e esse tipo de medo, intimidação e dominação não se aplicam a elas. São pessoas que trazem consigo conhecimentos sobre a espiritualidade, intuição aguçada, facilidade de aprendizado. São ligadas à natureza, são solidárias e não se sujeitam às manipulações dos adultos. São as crianças índigo. Essa senhora me perguntou: - Crianças o que? Falei - Índigo. - O que é isso? Perguntou a senhora. Respondi: - Crianças de “aura azul”.  Em seguida me fez a pergunta: - De que religião o senhor é? Eu disse: não sigo nenhuma religião. Nesse momento percebi um misto de medo e discriminação. A nossa conversar se encerrou, essa senhora não falou mais nada. Chegamos ao aeroporto e ela procurou se afastar de mim.

Fiquei pensando o que faz as pessoas terem tal comportamento?  Medo?  Lembrei-me da escritora Sylvia Browne autora de diversos livros sobre espiritualidade, dentre eles: “Segredos e Mistérios da Humanidade”. Neste livro ela escreveu sobre segredos, mistérios e mitos antigos que intrigam a humanidade há – muitas vezes – séculos. No livro, ela afirma que no passado tudo que não se conhecia ou não se aceitava relacionado à espiritualidade e a ciência, “os religiosos” afirmavam que eram “coisas do demônio”. E quem buscava o entendimento e o conhecimento sobre tais “coisas” teriam parte com diabo. Foi assim que muitos homens e mulheres foram condenados à morte – a santa inquisição.

Essa senhora, ainda hoje no século XXI, tem o mesmo comportamento de épocas remotas na história da humanidade. Foram atitudes e ações que levaram a sofrimentos, torturas e mortes de seres humanos, simplesmente por serem dotados de capacidades e dons à frente de sua época. E ainda hoje existem pessoas, no meio de nós, nessas condições: á frente de sua época.

Poderíamos ter conversado mais e aprendido um com o outro sobre este e/ou outros assuntos. Mas a discriminação e o medo nos fazem afastar do conhecimento, do saber, da curiosidade, de seguir em frente, de sermos dóceis e compartilhar nossas dúvidas.
  
Espero que as novas gerações, sejam índigo ou não, tenham a capacidade de superar essas limitações, e assim contribuir para um mundo sem sectarismos. Deixando de vez para trás uma historia de trevas e sofrimentos, e trilhando o caminho da paz, da solidariedade, da troca de conhecimentos e experiências.  Teremos um mundo melhor.